Vemos a todo instante pessoas declarando na mídia “evangélica” os motivos que as levaram a buscarem ao Senhor, e nesse caso leia-se o nome da “igreja” ao invés de Jesus, porque muitas delas estão querendo tomar o lugar de quem deveriam servir, Jesus, e nos seus “testemunhos” vemos que quando falam acerca de sua conversão não exaltam Aquele que foi o verdadeiro responsável pela mudança operada em suas vidas, mas valorizam muito mais os homens que “comandam” essas instituições e a edificação física a que passaram a pertencer.
Vivemos um momento triste para aqueles que desejam servir ao Senhor integralmente, nos moldes propostos por Ele em Sua Palavra.
No Evangelho de Lucas podemos encontrar uma cena que nos ajudará a refletir sobre qual tem sido a nossa visão acerca da Salvação em Jesus Cristo nos dias de hoje. Temos tido uma visão material ou espiritual desse importante evento na vida de cada um de nós?
Diz o texto: “Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.” (Lc 2.25-32)
Diz o texto: “Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.” (Lc 2.25-32)
A cena nos mostra os pais de Jesus cumprindo um mandamento estabelecido na Lei de Moisés que dizia que todo menino deveria ser circuncidado no Templo ao oitavo dia do seu nascimento.
Desde o inicio de sua vida, vemos o Senhor Jesus cumprindo e não revogando a Lei como Ele próprio afirmou.
O texto nos fala também de que havia em Jerusalém um homem justo e piedoso que aguardava o momento de conhecer aquele que livraria Israel das mãos de seus inimigos, o Messias predito pelos profetas e tão esperado por todo o povo.
Movido pelo Espírito Santo, Simeão vai ao Templo e lá encontra Aquele que haveria de redimir não apenas Israel das mãos de seus inimigos, mas a todos quantos a Ele se convertessem.
Este homem buscava conhecer o Messias..., o Consolador..., o Salvador...
Foram muitas as profecias que falaram acerca da vinda do Messias e o povo judeu ansiava ardentemente que elas se cumprissem ainda naquela geração, mas em razão da opressão romana, aguardavam um rei que destruísse os seus inimigos a fim de que Israel novamente se colocasse em lugar de honra diante deles, como ocorrera nos tempos do Rei Davi e de seu filho Salomão. Entendiam que essa restituição se daria pela força das armas, através do poder humano e não por meio de um poder e manifestação espirituais.
Nessa época o povo judeu estava sob o domínio do império Romano que cobrava muitos impostos e limitava suas vidas e isso fazia com que o desejo de que as profecias se cumprissem fosse cada vez maior no coração de todos.
Essa era a visão de salvação para aquele povo sofrido, mas apesar de Jesus demonstrar não apenas com palavras, mas principalmente com atitudes que o livramento não estava condicionado a benefícios materiais e sim espirituais, eles não o compreenderam porque seus corações estavam endurecidos e no intimo de cada um, falou mais alto o “espírito” de mesquinharia e desprezo pelas coisas espirituais.
Mas será que as coisas mudaram nesses 2.000 anos de história cristã?
Vimos no decorrer da história inúmeras guerras, saques e destruições movidas pela dita “igreja cristã” que visava satisfazer os prazeres de seus comandantes e enriquecer cada vez mais os cofres da instituição que deveria alimentar a fome espiritual e, na medida do possível, também a física dos oprimidos e não agir de forma contrária como os relatos históricos não deixam margem a controvérsias.
Veio a Reforma e parecia que tudo se transformaria para melhor, mas infelizmente o que era amor pela Palavra e pelo Deus da Palavra transformou-se em ganância e busca incessante de poder e riquezas temporais, como fizeram seus antecessores. Antes a persuasão pelo medo, através da venda de indulgências e favores celestiais aos pecadores que “arrependendo-se” enriqueciam os cofres da Igreja e garantiam dias melhores no mundo vindouro, ou seja, após a morte do corpo; depois, a persuasão pela oratória e pela falsa interpretação dos textos bíblicos, fariam com que os “arrependidos” pecadores buscassem os favores celestiais através da compensação financeiras ainda no mundo físico e,é claro, também nos céus, onde os “convertidos e salvos” andarão em ruas de ouro como afirma João em seu Apocalipse.
Infelizmente, parece que a visão de salvação divina que homem tem não mudou muito nesses dois milênios.
Assim como aquele povo oprimido, todos nós buscamos uma saída para nossos problemas.
Alguns acreditam que podem encontrar consolo nas bebidas alcoólicas, outros nos desvios e prazeres sexuais, outros ainda no desejo desesperado de conquistar poder e riqueza, porque acreditam que alcançando essas coisas conseguirão diminuir a carga de problemas que se acumulam em suas costas dia a dia, e quando as conseguem querem vivê-las intensamente.
Assim como eles, todos queremos ser consolados.
Outros há que não buscam consolo nessas coisas, mas buscam nas diversas religiões existentes no mundo, porque acreditam que através de seus ensinamentos conseguirão alcançar a tão esperada paz e tranqüilidade que os prazeres mundanos não podem proporcionar.
Salomão nos ensina que: “Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte.” (Pv 16.25)
Hoje em dia as pessoas buscam consolo na primeira porta que se abre, querem ser consoladas e amadas, e não importa como e quais são os meios empregados para satisfazerem esse desejo inerente a todo ser humano.
Buscam esse consolo em mensagens “psicografadas” por parentes que já partiram desse mundo, entendendo que por estarem no mundo espiritual eles conseguem visualizar melhor o problema que seus entes queridos, ainda vivos, estão enfrentando e assim poderão aconselhá-los no melhor caminho a seguir; ou então, vão aos terreiros de umbanda e candomblé e através das “orientações” dos exus e dos orixás vão até as encruzilhadas e ali “despacham” aos “santos” as suas oferendas e petições porque entendem que em assim agindo poderão aplacar o ódio e o rancor dos espíritos que o estão atormentando e não poucas vezes acabam retribuindo com o mesmo mal que estão recebendo de seus antigos e supostos algozes, independente de quem seja.
Há ainda outro grupo de necessitados que busca consolo nas consultas dirigidas para os “discípulos” de Omar Cardoso, do Walter Mercado, das cartas de Tarô, do jogo de búzios, das cartomantes, dos cristais, e tantas novidades que aparecem dia a dia no tão disputado “mercado da fé” que não é de admirar que o número de pacientes que procuram as clinicas psiquiatras cresce a todo o momento.
Para que esse grupo de pessoas aceite como “verdade” tudo o que está sendo oferecido, os seus “mestres” precisam realizar muitas demonstrações físicas, exterioridades que têm por objetivo fortalecer a fé dos pobres irmãos que buscam os seus encantos para suprir uma necessidade inerente a todo ser humano: ser amado e sentir-se seguro.
Jesus disse acerca de João, o batista, ao povo que o rodeavam: “Tendo-se retirado os mensageiros, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Os que se vestem bem e vivem no luxo assistem nos palácios dos reis. Sim, que saístes a ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta.” (Lc 7.24-26)
Estamos vivendo um período muito difícil para a verdadeira Igreja do Senhor Jesus. Um período no qual a grande maioria das pessoas que acorrem às suas portas o fazem muito mais por necessidades materiais, financeiras, do que propriamente espirituais.
As pessoas buscam não o pão que alimenta e sacia a fome para sempre, como ensinou Jesus, identificando-se a si mesmo como sendo esse alimento espiritual, mas estão em busca de conquistar fortunas para saciarem seus desejos por prazeres mundanos e bens materiais. Querem ser mais que vencedores em todas as coisas que o mundo oferece aos bem-sucedidos e para que esses necessitados possam ser atraídos os meios empregados são os mais diversos e inusitados: grandes construções, pois um Deus grande não pode habitar em um lugar pequeno; água milagrosa que cura todas as doenças; suor ungido que poderá ser levado até onde o enfermo se encontra; óleos ungidos para ungir tudo o que passar pelas nossas mãos; águas abençoadas do rio Jordão que lavam e purificam o ambiente no qual vivemos; pedaços da cruz de Cristo que levam sobre si todas as nossas enfermidades e misérias e a leitura que fazem já não é apenas da Bíblia, mas da Bíblia com comentários sobre prosperidade, novas unções, promessas apostólicas e por aí afora. Só mesmo a misericórdia divina é capaz de nos ajudar a passar por esse período negro no qual a igreja se encontra.
Assim como seus conterrâneos Simeão sonhava com a Liberdade, afinal ninguém deseja ser escravo de alguém, mas livre e não poucas vezes acabamos nos tornando escravos sem perceber.
Alguns se tornam escravos dos espíritos que buscaram para consolá-los, outros se tornam escravos de supostos pastores (que muitas vezes se autodenominaram pastores) que procurarão arrancar de seus bolsos e contas bancárias todos os recursos que puderem para abastecer e manter suas mega “igrejas” e sua desenfreada megalomania pelo poder e pela vaidade, que está fazendo com que se sintam muito acima do que realmente o são (nada, é isso que são, mas eles se acham o máximo, a sumidade eclesiática) e não demorará muito para que o título que alguns particularmente se deram de apóstolos seja considerado pequeno demais, sem importância e ultrapassado diante do poder que dizem possuir, e irremediavelmente começarão a surgir os “vice-Jesus” e num período não muito distante aparecerá, quem sabe, o título de “vice-deus”. É lastimável, mas já estamos presenciando essa aberração!
Infelizmente esse é o espírito do mundo que se instalou em muitas das ditas “igrejas evangélicas” no mundo inteiro, mas o Senhor há Seu tempo colocará tudo nos trilhos novamente e nossa oração é a de que o menor número possível de pessoas passe pelo severo julgamento e reprovação do Senhor por esse comportamento que está levando não poucos irmãos sinceros a abandonarem a mensagem do Evangelho e correrem em busca das doutrinas mais malucas que estão aparecendo a todo o momento.
Diante desse quadro que apresentamos, que visão temos tido da salvação que Deus nos oferece, levando-se em conta a mensagem que nos tem sido pregada?
Todos os caminhos levam a Deus e nos garantem a felicidade eterna, dizem os que buscam consolo e tranqüilidade longe dos ensinamentos que o Senhor nos deixou em Sua Palavra, a Bíblia.
Infelizmente esses pensamentos povoam a mente e o coração da grande maioria dos seres humanos, que entendem que, desde que sejamos pessoas boas e honestas poderemos chegar a Deus independente do caminho que resolvemos trilhar para alcançá-lO.
A Palavra de Deus nos garante que todos os caminhos nos levam a Deus sim, porque todos haveremos de comparecer ante o tribunal de Cristo, mas só há um caminho que nos conduzirá para vivermos eternamente na paz e tranqüilidade que tanto almejamos nesse mundo e esse caminho se chama JESUS CRISTO, assim como Ele mesmo se definiu: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. E vós sabeis o caminho para onde eu vou. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo.14.1-6)
Longe de mim o querer ser comparado com Simeão, “homem justo e piedoso”, mas assim como ele, também tivemos nosso encontro com o Senhor Jesus promovido pelo Espírito Santo, que a todo o momento vem nos consolando em nossos altos e baixos, em nossas lutas diárias, nas angústias pelas quais passamos muitas vezes e por não dizer nos sofrimentos e perseguições a que estão sujeitos todos os habitantes da Terra, e hipócrita e mentiroso será aquele que disser que os que foram alcançados pela graça redentora de Jesus nunca passarão por esses sentimentos e situações, pois basta olhar para a vida do apóstolo Paulo e verificar a que está sujeito todo aquele que busca seguir os passos de Jesus, tomando sua cruz e caminhando na trilha que lhe está proposta.
Precisamos nos unir a Ele, não para tomá-Lo nos braços como fez o justo e piedoso Simeão, mas para sermos abraçados e agasalhados por Ele e pelo Seu infinito amor.
Quando formos um nEle seremos transformados e saberemos que nada nem ninguém poderá nos separar do amor que há em Cristo Jesus nosso Senhor.
Sendo assim, consolemo-nos e estejamos firmados nas palavras do apóstolo Paulo aos romanos, esperando que essa onda de novidades teológicas passe logo e que retomemos o caminho proposto por Jesus, caminho esse que conduz vidas para a salvação e não para a perdição, vidas equilibradas pelos conselhos apresentados em Sua Palavra e não na deturpação da mesma, promovida por alguns que acreditam se sábios quando na verdade suas palavras e ensinamentos não resistem ao menor confronto com a verdadeira Palavra de Deus, a Bíblia.
Fazemos parte da geração que pode transformar essa situação, fazer com que a Igreja não apenas ensine sobre a Igreja Primitiva, mas viva seus ensinamentos e exemplos.
Disse o apostolo ao Gentios: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8.33-39)
Antonio Carlos

Olá Antônio Carlos; é um prazer em estar aqui e ler palavras conscientes e edificantes!
ResponderExcluirUm servo de Cristo deveria ter apenas a bíblia como única fonte de regra, fé e prática; um servo de Cristo deveria seguir apenas os mandamentos de Deus e não dos homens.
Que o Senhor Deus lhe abençoe em sua caminhada!
“Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)
Gostaria de lhe convidar para que comentasse o meu conto “Água benta bem gelada”. Ok?
Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com